“JUSTIFICAÇÃO SOMENTE PELA FÉ” - LUTERO
“Justificação somente pela fé” é um discurso luterano típico revolucionário, porque faz parte do processo revolucionário de se pensar, que é totalmente contra o Evangelho.
COMENTÁRIO
Lutero faz uma verdadeira anarquia mental e torna o pensamento teológico revolucionário. O que é um pensamento revolucionário? Pensamento revolucionário é a inversão de valores.
Vamos melhor entender o pensamento revolucionário de Lutero . Ele demonstra falar com convicção que já conhece o futuro, ao afirmar com certeza que a “Justificação é somente pela fé”. Convém lembrar, que o futuro revolucionário tem uma segunda característica. O advento dele é tomado como certo e infalível, mas, tal como o advento de Cristo, não tem data marcada. A diferença é que, o segundo advento, o de Cristo, é decisão de Cristo. Ao passo que, o segundo futuro revolucionário parte de uma decisão humana. Isto significa que o revolucionário que acredita conhecer o FUTURO mas não sabe quando ele virá, está autorizado a mudar de novo e de novo a sua data, conforme se aproxima do FUTURO. Por outro lado, como o FUTURO é a sede de todas as belezas e de todos os bens, aquele que acredita representá-lo no presente, está investido do poder de julgar o mundo, mas não pode ser julgado pelo mundo, porque o único tribunal no qual ele poderia ser julgado está no FUTURO, e o FUTURO nunca chegará. Portanto, nunca poderá ser julgado. Lutero deixa claro que tomou esta decisão DE CIMA PARA BAIXO. Ele assegura que não há outra justificação, a não ser somente pela fé.
Ao assegurar que a justificação só é possível pela fé, Lutero acaba:
a) condenando-se a si mesmo - Quem condena você é sua própria boca. (Jo 15,6)
b) criando sua própria ideologia, porque Lutero não entendeu a abordagem da Fé feita por São Paulo x São Tiago, respectivamente, por isso ele adotou a irredutível postura: “Justificação somente pela fé” Vou explicar e esclarecer esta VERDADE:
À primeira vista, a doutrina de S. Tiago sobre a justificação parece ser justamente o contrário da ensinada por S. Paulo. Este diz: “O homem é justificado pela fé, e não pelas obras da Lei”, e: “O homem não é justificado pelas obras da Lei, mas, pela fé de Jesus Cristo”: Rm 3, 28; Gal 2, 16. São Tiago diz: “O homem é justificado pelas obras e não pela fé somente”: 2, 24. Não haverá aqui uma contradição entre São Paulo e São Tiago?
Não, e explico o motivo. Embora usando as mesmas palavras, falam de coisas diversas. A FÉ em São Paulo é a fé concreta, a fé que age, a fé que recebe da caridade seu impulso e sua forma. A fé em São Tiago é um simples assentimento da inteligência, comparável ao assentimento que os demônios prestam às verdades por eles conhecidas: 2, 19. É evidente que este ato puramente intelectual não pode influir na justificação do homem. As obras de que fala São Paulo são as que precedem a fé e a justiça, principalmente as prescrições da Lei de Moisés , da qual se trata na controvérsia com os judaizantes. As obras de São Tiago são as que seguem a fé e a justiça, pois ele se dirige a cristãos já na posse da vida sobrenatural. São Paulo fala da justiça primeira, isto é, a passagem do estado de pecado ao estado de santidade. A justiça de São Tiago é a justiça segunda, isto é, o crescimento da justiça, é o desenvolvimento regular da vida cristã. São Paulo se coloca antes da justificação do homem, e São Tiago, depois. O primeiro fala da fé viva (a justificar), o segundo, da fé já justificada, mas precisa de obras para não morrer. Um declara ao infiel que sem a fé ele não pode alcançar a justificação, o outro ensina ao cristão que deve colocar sua conduta em acordo com a fé porque a fé sozinha de nada lhe basta.